Maria Julia Coutinho e a constatação: no Brasil, o negro não pode errar!

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O racismo está nos detalhes. Sempre defendi tal tese. O preconceito encontra-se nos pequenos gestos. Afinal, ninguém vai admitir repulsa por alguém de maneira escancarada. Maria Julia Coutinho estreou no Jornal da Globo e confesso ter estranhado as cobranças em cima da profissional.

Sentimento aguçado após matéria publicada hoje no Noticias da TV, de responsabilidade de Daniel Castro. Enumerava os erros da jornalista. Comuns, diga-se de passagem. Maria Julia sentiu o golpe. Deixou clara sua visão: considera-se vitima de preconceito. Mesmo que velado. Antes de tudo era sua dignidade em jogo. Daniel Castro pode fazer a matéria e reportagem que desejar.

Só quero chamar atenção para alguns detalhes. Quando Donny de Nucio, homem e branco, estreou no mesmo Jornal Hoje não ocorreu qualquer policiamento. Renata Lo Prete é a ancora do Jornal da Globo e nunca foi fiscalizada. Acredito de coração que Daniel Castro não tenha tido maldade na empreitada. Errou. Feio.

Algo fica patente. No Brasil, o negro não pode errar. Em qualquer área de atuação da vida nacional seu desempenho é acompanhado por lupa. Qualquer deslize serve para justificar o massacre.

Porque? Por que no fundo, muitos pensam que o negro tira o lugar de um branco “mais preparado”.

Um amigo jornalista e negro definiu muito bem a reação  de muitos brancos com o sucesso do negro: “O branco gosta do negro que ocupa funções braçais e que não exige escolaridade. Mas de preferência o seu desejo é que ele continue por lá, sem ascensão”.

Não ligue Maria Julia. O seu lugar é esse. Na bancada do Jornal Hoje. E esqueça as cobranças. Já basta o fardo que carregamos desde o descobrimento e que aos poucos estamos vencendo.

(EAJ)

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