A chegada de Maju ao topo do jornalismo brasileiro e a luta do negro no Brasil

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O Brasil com justiça celebra a chegada de Maria Julia Coutinho ao Jornal Hoje, da Rede Globo. Merecido. Negra. Talentosa. Carismática. Domina a técnica jornalística como poucas. Reafirmo: boa noticia.

Só que a sua estadia no panteão do jornalismo deveria servir não só para comemoração mas sim para reflexão. A talentosa Maju é um grão de areia em um mar de preconceito e discriminação  que temos no Brasil.

O Brasil é diverso. Índios, negros, sertanejos, nordestinos. Uma mistura única. Você liga a televisão e parece encontrar-se na Dinamarca. Suécia. Negros jogam futebol. Só brancos comentam. Novelas uma vez ou outra abrem espaço aos negros como protagonistas. Ou pior: encenam uma novela na Bahia quase só com atores brancos. Tem algo errado.

Sobrevivo. Luto. Agradeço a Deus por ter passado no funil. Eu e minha irmã tivemos país que sacrificaram até suas vidas para nos conceder formação acadêmica. Somos profissionais dignos e fazemos aquilo que sonhamos. Entre a população negra somos privilegiados. Não queremos usufruir individualmente. Queremos que outros também tenham o espaço aberto.

A vida no Brasil é uma loteria. Quantos pais tentaram de todas as formas encaminhar os seus filhos negros no caminho da excelência e foram bloqueados pela desigualdade de renda, preconceito racial, péssima educação, saúde deficitária? Eles não são culpados e sim uma sociedade desprovida de mecanismos que concedam oportunidades iguais para todos.

Aqueles que são contra as políticas de reparação nunca conseguem responder a isso. Se a cota não serve, como abrir espaço para milhares e milhares de negros que ficam no meio do caminho por causa desta sociedade excludente? Serão condenados a viver na pobreza, na ignorância? É isso?

Não pense que exagero. O próprio IBGE já constatou que uma pessoa branca ganha em média R$ 2697 enquanto que uma pessoa parda recebe R$ 1543 e uma negra R$ 1523. Se isso não for discriminação não encontro outra forma de nomear. Se verificarmos os dados da pesquisa Oxfam divulgada no inicio deste ano, os dados são ainda mais dramáticos. Para 72% dos entrevistados a cor da pele influencia na contratação de funcionários por empresas e apenas 52% acreditam que negros ganhem menos por serem negros.

Desculpe a rigidez, mas uma pessoa branca jamais terá a mínima dimensão do que é o racismo, o preconceito e a exclusão vivida pelo negro no Brasil. Nem o pobre branco. Por que esse em último caso pode até não ter dinheiro mas jamais será parado pela Polícia sem justificativa.

Maju saboreia merecidamente uma estrondosa vitória profissional e pessoal. Para que a população negra tenha um caminho de menor turbulência o trabalho é extenso. E muita gente nem percebeu. A luta nem começou. (EAJ)

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