Caso Extra- Alex Muralha: crítica de futebol é uma coisa; linchamento é totalmente diferente

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O fato que sacudiu a imprensa esportiva nesta sexta-feira não foi a vitória da Seleção Brasileira. Nem os preparativos do confronto entre Grêmio x Sport. Ou as semifinais da Primeira Liga.

O que esteve na berlinda foi a capa do Jornal “Extra”, pertencente às Organizações Globo e que trazia o seguinte texto: “Em nome da precisão jornalística, o leitor do EXTRA não encontrará, a partir de hoje, a palavra Muralha relacionada ao senhor Alex Roberto Santana Rafael. Provável titular do Flamengo na final da Copa do Brasil, Alex Roberto, o ex-Muralha, mais uma vez desmoralizou o vulgo, levando um frango no jogo contra o Paraná pela Primeira Liga. Além de ter errado 100% dos lados nas cobranças de pênalti, completando 545 dias sem defender uma penalidade. Também em nome da precisão jornalística, o EXTRA se compromete a rever a sua decisão caso Alex Roberto, o ex-Muralha, volte a fazer por merecer.” Como resposta, o Flamengo determinou proibição ao setorista do jornal.

O editor de esportes tanto do “Extra” como do jornal “O Globo”, Márvio dos Anjos defendeu a medida em entrevista ao “Redação SportV”. Em resumo, disse que foi para atender um clamor das redes sociais e também porque o jornal pauta-se pelo bom humor.

De cara vamos esclarecer: o jornalista e comentarista dizer que o jogador foi mal ou não tem aptidão técnica para a prática do futebol é algo normal e deve ser encarado com naturalidade. O debate, a troca de ideias e a análise de desempenho se constituem a essência do jornalismo esportivo.

No entanto, o caso de Alex Muralha é diferente. É a promoção de autêntico linchamento moral e virtual. Sim porque a partir do momento que adota-se a medida de realizar um tratamento diferente em relação aos demais jogadores, existe uma clara orientação de segregação, separatismo. É tudo, menos jornalismo.

A repercussão da medida expõe outro ponto: a ausência de vozes e ideias diferentes no jornalismo brasileiro e o consequente poder de um único grupo. O Extra é de propriedade das Organizações Globo. Que cobre esporte por intermédio da Rádio Globo, Rede Globo de Televisão, Sportv e Globoesporte.com. Reflita: e se todas as outras empresas do grupo resolvem adotar a mesma postura do jornal popular? O que sobrará para Alex Muralha?

Quando defendemos a pluralidade de opiniões não é pelo fato de tal metodologia ser o caminho para quebrar o domínio de audiência da Rede Globo e sim a permissão de aparecimento de outros atores na opinião pública. Até para exibir gente que considere o goleiro flamenguista um cara de talento.

Se você pegar apenas o Rio de Janeiro, veja que o Jornal O Dia e o Lance! não tem a penetração de antigamente, o Jornal do Brasil e o Jornal de Sports acabaram e as rádios com audiência se resumem a Tupi, Globo (olha aí de novo!) e Transamérica.

O episódio com Alex Muralha tem duas funções: demonstrar que nós, jornalistas, devemos estabelecer limites e que o Brasil necessita urgentemente de mais vozes e produtos relevantes na área de comunicação. (Elias Aredes Junior)

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