Como a Libertadores explica a relação fria (ou morna?) entre o Brasil e seus vizinhos Sul-Americanos

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A semana termina com dois clubes eliminados na Copa Libertadores da América. O Palmeiras perdeu nos pênaltis para o Barcelona do Equador e o Atlético Mineiro foi incapaz de suplantar o Jorge Wilstermann no estádio do Mineirão.

No ano passado o Corinthians lamentou a saída diante do Nacional do Uruguai e o torcedor do São Paulo chorou a saída na semifinal após 180 minutos diante do Atlético Nacional.

Nestas ocasiões foi interessante observar o ar de incredulidade da crônica esportiva brasileira e dos torcedores. Foi como se estas equipes oponentes fossem extraterrestres, oriundas de outras galáxias.

Que seus jogadores jogassem futebol apenas nas datas da competição da Conmebol. Tal postura explica um fenômeno tipicamente brasileiro: o desprezo (voluntario ou não) ao futebol praticado no continente Sul-Americano.

Pense: quantos jogos no ano você assiste do Campeonato Argentino? E do Campeonato Uruguaio? Sabemos os resultados dos campeonatos do Paraguai, Equador, Bolívia ou Venezuela? Vou além: o Boston River fica na Argentina ou no Uruguai?Pois é, sem o gol não dá para saber que a equipe é rival de Nacional e Penarol.

Para não ser injusto, o “Tabelão Fox” veiculado no domingo á noite é o único que traz gols e classificações destas competições. De resto, o deserto impera.

Desconhecer estas competições é algo normal no Brasil. Dissecamos os detalhes da Premier League, da La Liga e agora do Campeonato Frances. O pacote europeu não deveria excluir o Sul-Americano. Mas acontece. Mais: especialistas em competições europeias temos aos montes no Brasil. Dos eventos Sulamericanos é preciso utilizar lupa e paciência.

Uma justificativa é a qualidade técnica, que é ruim. Concordo. Só que o interesse do torcedor e a transmissão destes campeonatos não seria algo normal diante do fato de que são estas equipes a serem vencidas no torneio mais cobiçado pelos Sul-Americano?

As equipes conhecem brasileiras tudo de seus oponentes. Vídeos estão por todos os lados e minutos. Não temos familiaridade, convivência, intimidade com estes torneios. O desconhecimento do torcedor surge de modo natural.

É um reflexo do que ocorre em outras áreas. Que cantores e bandas argentinas, uruguaias e paraguaias recebem divulgação maciça? E o cinema argentino tem a mesma amplitude daquele que é feito nos EUA.

Existem nichos da população com visão diferente. Gostam e apreciam o futebol Sul-Americano. Só que a maioria trilha outro rumo. Enquanto isso não mudar, qualquer eliminação na Libertadores continuará sendo tratada como um fenômeno inesperado. (Elias Aredes Junior)

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