Como ser de esquerda sem demonstrar humanidade?

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Em conversas informais ou até em reportagens a indagação vem a mente: o que é ser de esquerda? Ler Marx? Votar no PT ou em qualquer partido progressista? Ser militante do movimento social?

Pois é, hoje os rótulos bastam para definir a orientação ideológica de uma pessoa. Errado. São as atitudes, o modo como lidar com o ser humano também definem sua predileção ideológica.

Lula entrou para a história do Brasil não por ter sido um presidente cujo os resultados são celebrados até hoje por parte da população, mas especialmente por suas atitudes com o semelhante. Nunca tripudiou em cima do sofrimento humano e relatos dão conta de que o cargo, dentro do possível, nunca se constitui  em barreiras com as camadas mais desfavorecidas.

No início de sua estadia na presidência, ao entrar no elevador do Palácio do Planalto e verificar a cara fechada do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, perguntou o que impedia ao seu subordinado de cumprimentar o ascensorista.

Tempos depois, no final do mandato, Lula cancelou a agenda de um dia inteiro para atender portadores de hanseníase sequiosos de uma reparação por parte da justiça. Abraçou, beijou, ou seja, foi humano.

Mesmo o então chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, em entrevista a Revista Piauí, relatou as diversas vezes que tomava broncas de Lula para em seguida ser convidado a tomar uma bebida no final de tarde.

Ao rever tais episódios pensei na presidenta Dilma Roussef. Talvez suas dificuldades de transmitir confiança a uma parte do eleitorado vem de sua postura seca e por estúpida com seus subordinados e até convidados. São costumeiros os relatos de Dilma sendo mal educada, grossa e até intempestiva no debate de ideias ou para tratar de graves problemas sociais.

Tomara que após a eleições, sendo eleita ou não, Dilma aprenda algo valioso: não adianta ostentar um ideário progressista sem tratar as pessoas como elas realmente são: seres humanos em busca de um tratamento digno.

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